Depoimento de mauricio kubik

Estávamos em 2017, eu com 50 anos recém-feitos, e ao assistir a um episódio de The Walking Dead, me deparei com um ator praticando o Jo, com o livro A Arte da Paz em mãos. Achei interessante o pensamento do personagem e resolvi iniciar uma pesquisa. Foi como encontrei o AIKIDO.

50 anos, parado com atividades físicas já há alguns anos, me desafiei a tirar a ‘bunda’ do sofá e voltar a praticar algo na vida.

 Achei de cara o Sendo Dojo, na Lapa. E-mail enviado, aguardei a resposta.

 Passados uns dias, fui lá, comprei meu Kimono e iniciei a prática. Bora treinar!

Treinos iniciados: Tenkan Ashi, Irimi Tenkan, Mai Kayten, Kotegaeshi, Dai Itikyo e uma porção de outras palavras que não faziam o menor sentido e que resolvi não absorver naquele momento. Foquei na concentração (depois volto nesse ponto), na execução, no suor, na subida da escada para cada treino, nos parceiros Uke & Tori.

 

Com o passar do tempo, o condicionamento físico foi voltando (nível básico ainda), o gosto por exercícios aumentando, em busca daquele relaxamento que o Sensei sempre pede antes de fazer doer mais (kkkkkk você já passou por isso que eu sei).
 Obtive minha faixa Amarela mais por repetição do que por conhecer o nome dos movimentos. Faixa Verde e Roxa foram assim também, e isso me preocupava muito. Mas sempre buscando uma concentração e entendimento da arte em si do que a decoreba dos nomes.
 Para a faixa Azul, busquei um conhecimento maior dos movimentos e tive com a Sensei Edna um apoio absurdo, pelo qual sempre irei agradecer.
 Da Azul pra Marrom tem sido, pra mim, bastante turbulento. Em 2024, rompi o tendão do bíceps, e parei todos os treinos pra recuperar o braço.
 Quando recuperei, parei de novo pra tratar uma artrose no tornozelo que me perseguia há mais de 20 anos e precisava resolver. Mais quase 6 meses parado.
 Voltei devagar, com limitações de movimentos e, agora, em agosto de 2026, tive mais um contratempo: diverticulite.
 Numa sexta-feira de trabalho, planejando voltar a treinar na semana seguinte com muito foco pra Marrom, tive que ser internado na emergência do hospital Albert Sabin. Ali já me fizeram os exames e definiram: tratamento inicial na UTI, com a administração de antibióticos.
 

Ok, vamos à luta, filhos da pátria!
 Interna, toma antibióticos, faz exames e chega na segunda-feira, dia 24. Às 17h20, entra um anestesista no meu quarto e diz: cirurgia em 40 minutos!
 Depois de responder aos questionários do anestesista, entrar em jejum completo, avisar a família, me desceu o ensinamento do Aikido:
 CONCENTRAÇÃO 
 E fiz exatamente isso: fui desligando a mente de todos os pensamentos que entrassem, que voltassem, que persistissem, e fui me concentrando no que eu podia fazer, que era preparar o corpo mentalmente para o que viesse pela frente.
 O cirurgião veio falar comigo dois dias depois e disse estar muito feliz por me ver em recuperação (ou vivo?). Quase uma semana depois, ele disse algo que ainda o deixava boquiaberto: 
“Sua aceitação ao tratamento e sua recuperação foram surpreendentes! Senti muito foco e trabalho mental em tudo!” 
Meus amigos, essa luta está no começo ainda, a faixa Marrom vai demorar um pouco mais, mas tenham a certeza de que o Aikido me deixou de pé de novo.
Mauricio Kubik
SP, 05 de Setembro de 2026